Hoje as minhas angústias não estão ligadas a nada que tenha a ver com comida - aliás, devo dizer que minha dieta (na verdade não gosto de chamar de dieta, e sim de controle) já completou uma semana e continuo levando numa boa, sem deslizes. Em todo o caso, tem outra coisa que está me angustiando.
Acho que estou me apaixonando por um cara que eu mal conheço. A bem dizer, nunca falei com ele; só que ele não sai da minha cabeça. Vi ele hoje e fiquei tão atordoada que não sei dizer quanto tempo levou pras minhas pernas pararem de tremer! Nossa, pensei que isso só acontecia com adolescentes. O pior é que não aceito essa situação; devo estar enlouquecendo!
Não sei o que pensar. Tem horas que até acho bom estar sentindo isso; bem ou mal, é um sentimento bom, faz a pessoa achar o dia bonito, a vida feliz. Mas tem horas que dá muita angústia; o cara nem sabe quem eu sou! Que tipo de situação é essa? Quero alguma coisa melhor pra mim do que ficar olhando-o passar!
Oh, vida! *
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Angústia
Postado por sarah às 21:45 0 comentários
Marcadores: _mais ou menos, sentimentos
domingo, 5 de outubro de 2008
Sundays suck
É muito difícil manter qualquer coisa nos fins de semana, porque os meus fins de semana geralmente são um saco. A antisociabilidade (seja lá como for que se escreve), que descobri muito surpresa ser um dos sintomas do comer compulsivo, ataca mesmo nos sábados e domingos. Se me convidam pra sair, geralmente recuso. Acabo ficando em casa, entediada, sem ter o que fazer (ou só tendo coisas chatas pra fazer) e a comida bem ali, prometendo me confortar.
Em todo o caso, consegui segurar nesse fim de semana e continuar me controlando, até porque, se não conseguisse, só teria tornado meu fim de semana pior. Esse foi horrível, mas horrível mesmo, porque foi um daqueles em que eu não fiz absolutamente nada por mim mesma. (Sabe aqueles dias em que tudo o que você faz é pelos outros?) Nisso incluo os três livros que tinha que ler pra essa semana na faculdade. Li dois e meio, mas ainda tenho até terça pra terminar o terceiro. Fora as outras coisas que tinha pra fazer.
Hoje foi pior ainda, com a eleição. Mais uma obrigação imposta pelos outros... hehe
E também era aniversário de uma das minhas melhores amigas e acabei não indo vê-la, como tinha prometido. Não sabia se ela tava em casa, fiquei lendo, acabei dormindo. Acordei me sentindo uma merda.
Percebem como eu sou reclamona? Sou mesmo. Em geral, as coisas nem são tão ruins quanto parecem quando eu reclamo, mas é um costume. A não ser no fim de semana: no fim de semana toda a reclamação é genuína e verdadeira.
Menos uma: dessa vez consegui me controlar direitinho no fim de semana. Apesar dos pesares. *
Postado por sarah às 21:23 0 comentários
Marcadores: _bem, nhaca existencial
Juro: último post do dia
Às vezes gosto de ler os sites de "comedores compulsivos anônimos" pra lembrar que não sou a única pessoa que tem problemas com isso. A maioria tem umas soluções muito ligadas à religiosidade, com as quais, pelo menos até a presente data, não concordo. Eu não conseguiria, hoje, como sugerem os doze mandamentos de um site, pedir a Deus que acabe com meus defeitos. Eu não acredito que ele poderia. Acho que ele quer que nós façamos isso.
Como exemplo, vou colar aí aquelas perguntas que tem nos sites pra você ver se você é um comedor compulsivo. Eu sempre respondi sim a quase todas elas, senão todas, mas insistia em pensar que não tinha esse problema, que devia ser algum outro. *
Are You a Compulsive Overeater?
Welcome to Overeaters Anonymous. This series of questions may help you determine if you are a compulsive overeater.
Do you eat when you're not hungry?
Do you go on eating binges for no apparent reason?
Do you have feelings of guilt and remorse after overeating?
Do you give too much time and thought to food?
Do you look forward with pleasure and anticipation to the time when you can eat alone?
Do you plan these secret binges ahead of time?
Do you eat sensibly before others and make up for it alone?
Is your weight affecting the way you live your life?
Have you tried to diet for a week (or longer), only to fall short of your goal?
Do you resent others telling you to "use a little willpower" to stop overeating?
Despite evidence to the contrary, have you continued to assert that you can diet "on your own" whenever you wish?
Do you crave to eat at a definite time, day or night, other than mealtime?
Do you eat to escape from worries or trouble?
Have you ever been treated for obesity or a food-related condition?
Does your eating behavior make you or others unhappy?
Have you answered yes to three or more of these questions? If so, it is probable that you have or are well on your way to having a compulsive overeating problem.
Fonte: http://www.oa.org/
Postado por sarah às 00:40 0 comentários
Marcadores: compulsão
sábado, 4 de outubro de 2008
A hora de explicar
Certo, vou fazer mais sentido agora.
Oi, vim escrever sobre as coisas que me acontecem, que me atormentam, sobre as coisas que quero dizer e não tenho pra quem. Não porque as pessoas ao redor não sejam capazes ou não estejam dispostas a ouvir e a entender, elas estão. Sou eu quem não consegue falar sobre isso. Ainda. Vou começar a tentar aqui.
O isso sobre o qual é tão difícil falar é a doença, da qual falei no post abaixo há alguns minutos. Queria saber de onde ela veio, que é meio obscuro, mas quando ela vem é sempre meio óbvio, ou seja, "aquele ano em que você engordou um monte". E antes você nem era gorda. Nunca foi maaaagra, mas gorda, gorda não.
E aí claro, as tentativas de combater sempre começam com uma tentativa de emagrecer aqueles quilos que vieram do nada. Tentativas frustradas, já que tem um problema maior por trás que você, primeiramente, não consegue ver, e, depois, não quer ver. Até o ponto em que você percebe que já está gorda assim há cinco anos e que não quer mais fazer de conta que não se importa.
Mesmo antes de assumir que tenho o problema, como estou assumindo agora, eu já pesquisava sobre os transtornos, pra ver se achava uma solução mágica para o meu problema, que eu ainda não assumia ser esse... Nessas achei esse site, que não tinha nenhuma solução mágica, mas algumas dicas. Como, por exemplo, criar um programa de controle. Algo pra seguir e, assim, se controlar.
Meu programa consiste de seis dias de uma dieta em que eu mesma decido o que vou comer, previamente, e respeito. O sétimo dia é "livre", pois nos outros seis eu às vezes, pra resistir à alguma coisa, preciso dizer que vou comê-la no sétimo. Devo confessar que isso nunca funcionou por muito tempo. Espero que funcione agora, que eu assumi ter um problema sério e que, desistindo, só o estou prolongando e agravando. Isso vai fazer uma semana na segunda-feira.
E quem eu sou? Bem, só uma recém ex-adolescente que precisa achar meios de crescer e vencer seus problemas. Uma pessoa que adora música e ama inglês (e vai transformá-lo em profissão, só ainda não decidiu qual). Que precisa melhorar, além do peso, um monte de coisas em sua vida. Mas outro dia conto mais, chega por hoje. *
Postado por sarah às 23:55 1 comentários
To begin with.
Eu quis vir escrever. Eu quis vir escrever sobre como é fácil e sobre como é difícil.
Acho que o primeiro passo é reconhecer. Pelo menos, pra mim, acho que fez bem. Eu sempre lia os sintomas e me encaixava em todos, mas me recusava a reconhecer. Decidi reconhecer. Eu tenho o transtorno do comer compulsivo, não sei por quê nem até quando. Mas decidi lutar contra. Já decidi isso um milhão de vezes, mas é disso que eu falo: como eu podia lutar contra uma coisa que eu nem reconhecia que estava lá?
Eu tenho esse problema, essa doença, seja o que for. Se eu preciso de ajuda psicológica? Ah, provavelmente. Mas eu não quero. Eu não quero contar as minhas coisas pra ninguém agora. Já tentei uma vez, e a médica não me deu ouvidos. Achou que eu estava deprimida e não deu bola pros meus problemas com comida. Achou que eu tava só descontando minha tristeza. Sei que não devo julgar todos os profissionais por apenas um que não soube me ajudar, mas, como já disse, não quero tentar de novo agora.
Resolvi fazer um lugarzinho pra mim, pra eu dizer essas coisas. Às vezes me faz bem, às vezes não faz. Mas tava querendo escrever sobre isso. Nunca escrevi sobre isso, às vezes escrevia pra mim mesma, mas doía pensar sozinha em tanta coisa ruim.
Pensei que talvez eu pudesse ajudar a mim mesma. Primeiro, assumindo que tenho a doença. Depois, tentando entender de onde ela veio. Eu sei mais ou menos, mas quero pensar um pouco nisso, diferente das outras vezes que já tentei pensar.
Não quero que esse blog seja uma coisa triste. Só quero dizer algumas coisas, quando precisar.
Hoje precisava dizer que assumi que tenho um problema. E que isso está me ajudando a lutar contra ele. Sozinha, é verdade. Mas reconhecendo que fraquejar só vai me fazer mal, embora a fraqueza sempre me prometa que eu vou me fazer bem se desistir.
Acontece que desistir nunca faz bem. *
Postado por sarah às 23:19 0 comentários